sábado, 28 de novembro de 2009

Deixe a cauda vir atrás de você.


O prazer não deveria servir de meta para a vida de ninguém, e sim a felicidade. A felicidade é conseqüência de uma vida bem-vivida, plena de realizações, harmoniosa, natural, voltada para o sensível, para o movimento e, o que é mais importante, baseada profundamente no amor e na liberdade. Mas isso não significa que o prazer não seja desejável, apenas não deve ser meta de vida, afinal fim, tanto o prazer quanto o desagrado têm função importante de nos sinalizar o caminho.

Recordo-me de uma história contada por um amigo, sobre dois gatos. Um dia um gato bem velho viu um gatinho correndo desesperadamente atrás da própria cauda. Estava tão empenhado em sua atividade que não percebeu a aproximação do gato velho e acabou levando um grande susto.

- Por que você corre dessa maneira atrás da sua cauda? - perguntou o gato velho.

- Me disseram que a melhor coisa do mundo é a felicidade - respondeu o gatinho. - E que ela está na minha cauda. Quando conseguir pegá-la, terei a felicidade.

O gato velho sorriu e respondeu:

- Meu pobre gatinho, eu também já passei por isso quando era novo assim como você. Mas notei que sempre que eu perseguia minha própria cauda, ela fugia de mim. Então eu cansei e desisti, e fui tratar de minha vida. Descobri, então, que minha cauda vinha atrás de mim, simplesmente, para onde quer que eu fosse.

A vida deve ser cheia de significado, e este significado deve ser de amor e realização, íntima. Aqueles que vivem uma vida plena fazem com que a felicidade os persiga como a cauda do gato, para todo lugar que forem.

Correr atrás da cauda representa uma busca desequilibrada pelo prazer e ausência de sofrimento, a qualquer preço. São indicadores de uma vida sem objetivo. E um indício de cobiça, de falência da própria vida em toda a sua plenitude. Deixar que a cauda venha simplesmente atrás de nós é a verdadeira felicidade.

A felicidade, a alegria, o prazer devem ser sentidos, não procurados, pois não estão fora de nós, muito menos são objetos perdidos. Procura-los, nestas condições, é perdê-los!

Nossos objetivos, metas e propósitos de vida - ou seja, aonde queremos chegar, o que queremos-, não são o mais importante,já que a vida está em permanente transformação e é natural que nossos objetivos também mudem. O importante é que o caminho que escolhemos tenha amor e nos conduza para a felicidade. Sobre isso o índio mexicano Don Juan disse a Castañeda: "Qualquer caminho é apenas um entre milhões de caminhos. Portanto você deve sempre manter em mente que um caminho não é mais que um caminho se achar que não deve segui-lo, não deve permanecer nele, sob nenhuma circunstância.

Para ter uma clareza dessas é preciso levar uma vida disciplinada. Só então você saberá que qualquer caminho não passa de um caminho, e não há afronta, para si nem para os outros, em larga-lo se é isto o que seu coração mandar. Mas sua decisão de continuar no caminho ou largá-lo deve ser isenta de medo e de ambição. Eu lhe aviso. Olhe bem para cada caminho, e com propósito. Experimente-o tantas vezes quanto achar necessário.

Depois pergunte-se, e só a si, uma coisa. Essa pergunta é uma que só os muito velhos fazem: esse caminho tem coração? Todos os caminhos são os mesmos: não conduzem a lugar algum. Em minha vida posso dizer que já passei por caminhos compridos, mas não estou em lugar algum. Então repita a pergunta: esse caminho tem coração? Se tiver, é um bom caminho; se não tiver, não presta.

Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma; mas um tem coração e o outro não. Um torna a viagem alegre; enquanto você o seguir, será um com ele. O outro o fará maldizer sua vida. Um o torna forte; o outro o enfraquece."

Só você é capaz de escolher por você e por isso é tão importante ser livre para escolher, pois a soma destas escolhas representa o que decidimos fazer de nossas vidas. Este é um grande passo na compreensão de que você é o único responsável pela sua vida. O segundo passo é saber que as nossas escolhas só têm valor se forem o reflexo de nossa sensibilidade, do amor, da liberdade, do amadurecimento e, sobretudo, deve ser urna resposta interior da consciência.

Gandhi nos alerta de que " é preferível mil vezes afrontar o mundo estando de acordo com a sua consciência que afrontar a sua consciência para ser agradável ao mundo. Tudo está bem com você, mesmo que tudo pareça estar completamente errado, se tem paz interior. Inversamente, tudo está errado com você, mesmo que exteriormente tudo pareça estar bem, se não está em paz com sua consciência."

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